"I said remember this feeling
I passed the pictures around
Of all the years that we stood there on the sidelines
Wishing for right now"
(Long Live - Taylor Swift)
Desde muito jovem, o pessimismo me levou a acreditar que a expectativa nunca se tornaria realidade. Isso porque passei muito tempo desejando coisas que, para mim, pareciam inalcançáveis, e porque me pareciam tão impossíveis, apegar-me ao desejo, familiarizar-me com ele ao invés do objeto de desejo me era preferível. Porque o sentimento de desejar, embora inquietante, é seguro, é certo. E o vício nesse conforto me é tal que, muitas vezes, eu preferi agonizar na incerteza do que receber um "sim" ou um "não". Mas, claro, como tudo nessa vida, tudo isso não é completamente ruim. Levar a vida nesse ritmo (muito, mas muito mesmo) lento me deu a oportunidade de lapidar bem os meus pensamentos acerca da maioria das coisas. Gosto também de pensar que não sou a única com esse "tipo de configuração mental". Afinal, somos únicos em poucas coisas.
Mas o que acontece quando uma expectativa se torna realidade? Estamos preparados para a transformação da expectativa em realidade? Isto é, de que forma deveríamos aceitar e reagir a isso, que nos é tão estranho? O que vem a seguir, o que faremos com o precioso presente que nos foi dado e seguramos em mãos (porque é assim que a gente se sente, né)? Isso é interessante. Existe uma dificuldade na aceitação de que a expectativa se tornou realidade; não porque não queríamos que ela se tornasse realidade, mas porque (quase paradoxalmente) algo de muito inesperado aconteceu. Nesse momento é como se uma guerra fosse travada. Se de um lado existe alguém ingênuo e feliz, pronto para abraçar cegamente e de braços abertos essa nova alegria, do outro existe alguém desconfiado, que acha essa alegria muita, que a vê como distração e que, por isso, está o tempo todo com a guarda levantada, atento e pronto para receber uma pancada (e das fortes), ou então que não se acha merecedor dessa felicidade e, por isso, acha que a qualquer momento ela será tirada de si (o que faz com que a vejamos como frágil também em muitos outros sentidos). Olhando agora para isso, eu vejo: é nesse momento que devemos tomar cuidado para não nos sabotarmos. Tudo bem ficarmos um pouco receosos, afinal, o desconhecido sempre nos causará medo. Mas que esse medo não nos petrifique demais, nem nos faça rejeitar as coisas boas que nos pertencem. Que essa guerra se resolva com diplomacia.
Há outras formas de olhar para a inquietude que se instaura após a realização da expectativa. Quando desejamos muito algo e aquilo se transforma em nosso maior objetivo, intuitivamente pensamos que, ao obtermos aquilo, nos sentiremos completos. Mas, ao obter o objeto de desejo, a completude não se estabelece e o ciclo volta a se repetir. Bem, podemos aceitar a teoria psicanalítica de que nunca seremos completos; sempre teremos que conviver com um vazio angustiante dentro de nós. Podemos também trabalhar com os ensinamentos budistas que colocam a ignorância distorciva (que, neste caso, é o achar que o objeto de desejo trará a completude do ser) e o apego fixado (ao objeto de desejo) como uma das três origens de todo sofrimento; assim, estudar o caminho da cessação do sofrimento nos traria o entendimento correto, principalmente sobre a impermanência das coisas. Tantos filósofos e suas teorias das emoções poderiam ser citados aqui e, garanto, valem muito a pena serem estudados, pois são interessantíssimos. Cada um sabe do seu próprio entendimento. E é fascinante como um mesmo problema pode ser visto sob inúmeras perspectivas.
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